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Domingo
Corrreria
Ta tudo correndo
Ao meu redor
E eu to parando
Ta tudo
Muito rápido
Pra começar
Já acabando
E eu com a sensação
De não ter por quê
Continuar tentando
A gente ta correndo
Mais que a perna
E se bandando
A gente ta vivendo
De asa aberta
E se amarrando
A gente ta voando
Cada vez mais
Preso ao chão
A gente ta matando
E vivendo em vão
Ta tudo deslocado
Ao meu redor
E eu to parado
Tentando achar
Alguém parando
Querendo olhar
Além da correria
Pensando
Pra fora da ventania
Ninguém tem tempo
Pra parar
E se esvoaçam
Sem lei
Ta tudo se acabando
Ao meu redor
E pra ver
A banda passar
Eu já parei.
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Quinta-feira
A Última Noite
Éramos amigos
Vivemos bons momentos
Pelo jeito me enganei
Talvez os momentos
Tenham sido só meus
Achei que éramos especiais
Repetia toda hora
A gente se divertia
Eu achava o máximo
Te ter por perto
Depois de tanto tempo
A afinidade aumentou
E rolou o beijo
Rolou a noite toda
E se desfez como fumaça
Nada existiu
Nem bons momentos
Nem amizade ou beijos
Nem risos, nem a última noite
Eu achava o máximo
Te ter por perto
Depois de tanto tempo
Pelo jeito me enganei
O tempo não mudou
Havia frustração
Mágoa e indecisão
Velados no sorriso
Desse fantasma
Que me abraçava
Me beijava
E se desfez como fumaça.
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Sábado
Pobre Palhaço
Pobre Palhaço,
Que tenta animar esse mundo escasso de graça.
Sem graça ou anistia, sem perdão,
Sem saída da prisão.
Pobre do coroa,
No auge de seus 70 anos se vestiu de palhaço,
Na praça da pacata cidade,
Ninguém sorriu.
Vida de aço para o pobre Palhaço.
Rugas de preocupação no seu rosto cansado,
Migalhas de pena, trocado suado.
Rugas que jamais sairão,
Nem mesmo esfregando com palha-de-aço.
Pobre Palhaço,
Percorrendo seu breve caminho
Animando essa gente mesquinha,
Ou simplesmente tentando...
Mas as rugas permanecem crescendo,
Tal qual erva daninha.
Rugas que não se tiram,
Pois os espectadores nunca sentiram a dor
De quem morre ao passar alegria
Dia após dia sem calor humano.
E passam os anos...
Pobre Palhaço,
Em vão foram teus esforços insanos
De alegrar, em vida, essa escória.
Despe agora teu manto sagrado,
Que quem te aclamava, te leva sorrindo
Para teus longos tempos de glória.
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Estupidez
Acreditar?
Em meio a esse
Ceticismo estúpido?
A gente quer
Mas não consegue.
Temos medo
De sermos
Mais estúpidos ainda.
Medo sincero,
Por entre
Essa onda
De estupidez
Que envenenou
O simples prazer
De amar.
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Terça-feira
Blefe
Quanta gente idiota querendo reconhecimento.
Gente que merece Oscar,
Gente que merece uma peruca branca cheia de caracóis.
Quanta gente preconceituosa.
Quanto papagaio de pirata.
Gente que cria e copia conceitos pelo que ouviu,
Talvez até de quem nem saiba o que fala,
Mas blefou da mesma forma.
Quanta gente fazendo pose de intelectual,
Sem entender “lhufas”.
Quanta gente lendo livros complicadíssimos
De cabeça pra baixo.
Quanta gente achando que é melhor que o outro.
Quanta gente fingindo que a realidade é diferente.
Quanto plebeu topando ser bobo-da-corte,
Sentado de perna aberta no colo da nobreza.
O mundo é uma partida de Poker.
Fingem que têm grana, e não têm,
E não têm fama,
E não têm honra,
E não têm vergonha.
Quanta gente que não tem jogo nas mãos,
Mas ganha na sugestão de forma tosca,
Transformando par em Royal...
Eu pago!
Porra, mas que blefe vagabundo!!!
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Sábado
Pai
Foi ele que me abriu os olhos
Foi quem ensinou modos
Quem me pôs no colo
E embalou...
Foi ele que sorriu e chorou
Com cada minuto meu
Da vida que ele viveu
E vive...
Foi quem ensinou a chutar a bola
Quem levou à escola
E quando medo tive
Segurou-me a mão...
Foi ele que pôs meus pés ao chão
Sem impedir-me de voar
Ensinou a caminhar
Sem temer cair...
Ele é meu ir e vir
A leal amizade
Meu herói de verdade.
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Terça-feira
Amém
Repitamos sempre amém no final!
Tanto faz se ta tudo bem,
Ou tudo mal.
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* * *
Nada é mais ofensa ou desculpa entre dois prepotentes do que uma crítica construtiva.
* * *
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* * *
O que esperar de um país, onde o respeito vem com código de barras?
* * *
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Segunda-feira
Pobres Soldados
Difícil é falar de amor
Nesses tempos de guerra
Tão fácil seria abrir
O peito e amar
Mas a necessidade de
Sobreviver nos faz
Guerrear
Guerra sem eira
Sem beira
Sem graça
Guerra de graça
Perdemos aliados
Ganhamos inimigos
Saímos machucados
Vencendo
Ou sendo vencidos
De qualquer forma
Perdemos
E sempre estamos
Perdidos
Pobres soldados
Que ainda escrevem
Cartas de amor
Com o tempo
Extraviadas
Com o vento
Despedaçadas
Que não podem
Ser lidas
Ou correspondidas
Em meio aos tiros
Que todos os dias
Acertam e destroem
Corações
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Terça-feira
Sábado em Copa
Orla
Marítima
Copa
Bacana
Sol
Poente
Lua
Cheia
Praia
Vazia
Cerveja
Gelada
Conversa
Fiada
Fotos
Tiradas
Gringos
Na farra
O dia
Acaba
A noite
Começa
Sábado
Promete
Sorte
Acaso
Possibilidades
De sucesso
De felicidade
De um momento
Qualquer
Que sempre
Termina.
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Sexta-feira
Brisa
As luzes não duram pra sempre
Luzes que iluminam meus sonhos
Sonhos de escuridão
Que a solidão revela
Que a verdade nega
Querendo luz de velas
De um amor de remelas
Amor que tive
E talvez tenha pra sempre
Ou por um tempo
Sabe lá que tempo
Velocidade do vento
Ou da luz
Que seja da brisa
Que passa devagar
E deixa o frescor
O tempo bom
O tempo do amor
Que sempre fica
Na nostalgia
Ou na dor
Que haja vida
Sempre eterna
De muita esperança
De irrelevantes lembranças
De falsos amores
Que façam doer
Essa solidão
Que enforca
A vida que há
Desse ser
Que prefere viver
E quem sabe amar.
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Boemia
Droga de boemia
Que não combina com as manhãs
Faz do escuro a vida
E da claridade a dor
O sol que assassina o artista
E o transforma e robô
Droga de vida mista
Tudo que trás alegria
Tem seu alto valor
Droga de boemia.
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Presente sem...
Essa caneta que te escreve
Sem benção serve
Porque de benção cansa
A divindade que não alcança
O ser de bem
Que o é, e sem.
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* * *
As pessoas estão tão acostumadas com a normalidade da mentira, que são incapazes de perceber que na maioria das vezes que mentem, se tivessem dito a verdade, não haveria qualquer problema.
* * *
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Quinta-feira
As Horas.
Esse cara não me entende
Quando eu quero que ele corra
Empaca!
Quando eu quero que ele empaque
Corre!
Esse cara é meio do contra
Sempre me controlando
Me faz andar em círculos
Seguindo sua vontades
Mas que cara chato!
Mas às vezes ele da um tempo
Vai dar um role
E me deixa pensar em mim
De repente volta
E me acorda
Sempre me acordando
De vários sonhos
Onde só há beleza
Sem dores ou tristeza
Sonhos de nostalgia
Que são tão reais
Mas ele me mostra que não
E que nem sempre é ruim
O real
E que nem todo o sonho
É ilusão
O tempo não é bom
Pra quem sabe esperar
Mas pra quem sabe viver.
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Terça-feira
Envelhecendo
Estupendo
Será o ser
Que fira a fera
Do amanhecer.
De outrora
Até agora
Repete-se a hora
Do envelhecer.
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Seremos sempre crianças
Perco o abrigo
Ganho a vida
Ganho a palma
Ganho o choro...
Perco a resistência
Ganho o colo
Ganho o dengo
Ganho o alimento...
Perco o abrigo
Ganho outro
Ganho família
Ganho esperança...
Perco o medo
Ganho os passos
Ganho a fala
Ganho os pais...
Perco a vergonha
Ganho machucados
Ganho a bronca
Ganho os cuidados...
Perco o cercado
Ganho o abrigo
Ganho os amigos
Ganho aprendizado...
Perco a infância
Ganho a malandragem
Ganho a irresponsabilidade
Ganho a maldade...
Perco o caminho
Ganho o abrigo
Ganho ajuda
Ganho os pais...
Perco a malandragem
Ganho maturidade
Ganho responsabilidade
Ganho problemas...
Perco o tempo
Ganho afazeres
Ganho sustento
Ganho prazeres...
Perco a facilidade
Ganho a batalha
Ganho a família
Ganho a felicidade...
Perco os pais
Ganho a tristeza
Ganho o afago
Ganho a saudade...
Perco a vontade
Ganho a companhia
Ganho o filho
Ganho a vontade...
Perco a beleza
Ganho rugas
Ganho o descanso
Ganho a continuação...
Perco as forças
Ganho o filho
Ganho o pai
Ganho a felicidade..
Perco a vida
Ganho outra
Ganho os pais
Ganho o abrigo.
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Porcos Escrotos
O mundo todo cobra
Todo mundo é cobra
A gente corre pouco atrás da bola
A gente corre errado e se embola
O futuro de quem vale é incerto
A gente ta errado quando ta certo
Sempre coniventes com a escrotidão
Sempre dependendo do que os escrotos dão
Os escrotos que alimentam os porcos no chiqueiro
E os porcos se alimentam mastigando o cheiro
Sempre o que nos sobra são migalhas nos pratos
Dos escrotos que comeram já estando fartos
Porcos comunistas querendo ser escrotos
Lutando toda a vida pra subir de posto
Deixando pra trás seus aliados no chiqueiro
Se alimentando com o cheiro da lavagem de dinheiro
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19 de outubro
Madrugada fria, manhã de calor.
Vivemos um sonho, um filme,
Momentos de risada e de amor.
Sem papel de ator e atriz.
Sem medo do “crime”,
Sem medo de ser feliz.
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Mágoas causadas não são águas passadas.
Por que será que às vezes magoamos as pessoas?
Por que será que não conseguimos dizer só coisas boas?
Às vezes nos enfraquecemos, e as mágoas simplesmente saem...
Às vezes, sem querer, cuspimos letras que doem...
Se magoamos, quase sempre é por que estamos magoados
Com problemas só nossos, onde não existem culpados.
Às vezes soltamos dardos pela língua, a torto e a direito.
Temos que nos consertar...
Não adianta só pensar que ninguém é perfeito.
Perfeito eu sei que não sou, e estou longe da perfeição.
Por isso magôo as pessoas, como quem manuseia um canhão.
Às vezes as palavras ferem mais que uma facada,
E as pessoas que nos amam têm a alma despedaçada,
E o coração em frangalhos procurando uma explicação.
Mas não tem como explicar o porquê da traição.
Magoar quem nós amamos é o mesmo que trair.
É muito escroto fazer chorar quem pensa na gente e sorri,
E fazer chorar um inocente, magoa demais a gente,
Mas o tempo não volta atrás, ele só anda pra frente.
O tempo é cruel, mas nós somos piores que o tempo.
Magoamos sem parar e sem pensar no arrependimento.
Depois da merda feita, não dá mais pra resolver,
Quanto mais a gente mexer, mais ainda vai feder.
Pedir desculpa ameniza, mas não apaga a dor,
Nem tira a culpa de quem jogou o que fez no ventilador.
A solução é pensar antes de falar besteira.
Eu sei que é difícil, mas é a melhor maneira,
Porque os problemas sempre voltam, deixando a arma engatilhada,
Mas antes de mirar nas pessoas, vamos mirar na própria cara.
Comments:
Segunda-feira
Poema.
Inspiração vem de repente
E não se pega no ar.
Poema é piraçâo em repente
Que não é pra cantar.
Caneta é viação do demente
Que não consegue parar.
Poema é aviação da mente
Que não pára de voar.
Papel é o sol poente
Que não pára de se pôr.
Poema é o dom doente
De compor.
Mundo é o céu, a gente
A terra e o amor.
Poema?! Não invente!
Deixe que saia sem dor.
Comments:
* * *
Tem coisas que a gente quer moldar, mas elas nunca mudarão. Quando a gente insiste muito, acaba quebrando, e perdendo por completo aquilo q nunca pôde obter a forma desejada, mas que a gente se esqueceu de como era importante originalmente.
* * *
Comments:
Ex-Piração.
Você me inspira...
Você me pira!
Eu te inspiro e expiro todos os dias...
Eu te respiro, e piro de alegria.
Comments:
* * *
Nós, seres humanos, somos como as pilhas ou baterias, que todas as noites precisam ser recarregadas, para que no dia seguinte tenhamos forças para mover a própria máquina que nos escraviza: a rotina.
* * *
Comments:
O Curioso e a Contradição.
_ Quem és tu?
_ Tu sabes quem sou.
_ É certo que já nos vimos, mas não sei teu nome.
_ Não tenho nome, e tenho vários ao mesmo tempo...
_ Diz-me então, podemos nos conhecer melhor.
_ Costumo me chamar de “Contradição da Felicidade”. Esse é o nome que mais me agrada, o sentido da minha existência.
_ O que é Felicidade?
_ Felicidade? É algo que vocês buscam incessantemente, tropeçando nas próprias pernas em vão.
_ Por que em vão?
_ Porque no que depender de mim, vocês não a alcançarão.
_ Imagino então que tu sintas enorme alegria ao ver nossa tristeza.
_ Oh não, não me culpes! Eu sou apenas um agente, um reflexo sem vontade própria. Como disse, tenho nome e inúmeros sobrenomes, mas pode me chamar somente de “Contradição da Felicidade” está bem?
_ Está bem, mas fale mais sobre você.
_ Bem, Felicidade é meu segundo nome, mas tenho outros que muito me agradam...
_ Quais?
_ Bom, Traição é um que eu adoro. Quando ouvir esse nome por aí, saiba que estão falando de mim, “Contradição da Felicidade”.
_ Fale mais.
_ Tenho outros como Ignorância, Raiva, Egoísmo, Maldade, Guerra, Ódio, Morte... Para ser sincero, até me esqueço de alguns deles. Seria praticamente impossível escrever todo o meu nome por dois motivos: primeiro porque precisaria de infinitas folhas de papel e uma memória extraordinária, e segundo porque meu nome nunca pára de crescer.
_ Imagino que seja realmente muito grande!
_ É muito maior do que você possa imaginar!
_ Mas quem foi o louco que te deu esse nome quase infinito?
_ Vocês.
_ Vocês quem?!
_ Vocês, seres humanos.
_ Ora, não me culpe pela tua existência ou pelos teus nomes, não fui eu que te chamei aqui.
_ Você já me chamou inúmeras vezes, mas não se lembra.
_ Mentira, eu me lembro de tudo que fiz na minha vida, e quero ser muito feliz daqui pra frente, portanto vá embora e não voltes nunca mais para me atormentar!
_ Por isso te disse meu primeiro nome: “Contradição da Felicidade”. Me apresentei para que tu te apercebas que quando estiveres a caminho da felicidade gritando meus sobrenomes, cometerás a contradição de me chamar novamente.
Comments:
Lucidez.
Lucidez,
Transforma nós dois em três,
Me tira a dúvida que me tira a calma,
Me diz que tudo é mentira,
Retira a tira que me prende a alma.
Não faça do sistema o teu comparsa,
Revela a verdade dessa farsa,
Devolve as asas que você roubou...
... Lucidez,
Me diz que o que eu digo não é bobagem,
Revela que o perigo é só imagem,
E que o reflexo do espelho é uma miragem.
Tira a venda que me tira a visão real,
Deixa a alma seguir o curso natural,
Devolve os olhos que você roubou...
... Lucidez,
Não te oponhas dessa vez,
Desfaz esse nó cego,
Não nos deixe sós aos berros,
Faz de nós três um só.
Comments:
Saco Cheio.
To de saco cheio
Do teatro da vida moderna,
De quem faz o papel de amigo
Enquanto puxa o tapete.
De ouvir ecoar os canhões dessa guerra,
E fingir que são festins de festa.
De todo esse lixo nas ruas,
Do lixo humano,
E do humano lixo.
De fazer do espelho meu fiel escudeiro.
Das multas e das cobranças,
Das mudas cobras e das antas.
Da farsa e do blefe nas juras de amor.
Do pouco caso que se faz da nossa dor.
De estar sempre dependendo de alguém
Que não presta.
Da ignorância se achando apta
A criticar o meu valor.
Dos plebeus que têm saudades do gosto
Da comida.
Da família outrora nobre,
Agora pobre,
Semidestruída.
To de saco cheio dessa vida interessante
De interesses ignorantes.
Da beleza pôr a mesa,
E da riqueza ser o mais importante.
Das pessoas que aturam meu bom senso
Batendo à minha porta
Com farpas de ingratidão,
E dos cretinos que têm a faca e o queijo,
Mas usam no nosso pão.
Comments:
Lua Nova.
Satélite em estado amarelado,
Feliz estando longe de nós.
Simplesmente observando, ou sendo observado.
Distante das barbáries desse mundo atroz.
Bem-aventurada por não teres habitantes,
Faz-me astronauta viajando em tua cor,
Cria em mim as forças para o suportar da dor,
Dá-me teu amor e aumenta as minhas chances.
Ser feliz um dia, quem sabe no teu solo.
Viver em fantasia, deitado no teu colo.
Ter tua companhia, sempre do meu lado.
Ter a calmaria, talvez em outro plano.
Sentir a maresia, à beira do oceano.
Ouvir tua melodia, no silêncio camuflado.
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Vôo em plena dança.
Muita gente caminha num trajeto sem curvas, e muito mais gente anda em círculos, desistindo da viagem...outros tropeçam nas pedras do caminho, mas se levantam e continuam heroicamente, e tem gente que se assusta com a distância, e nem arrisca o primeiro passo.
Para uns a caminhada é mais longa, cheia de leões, montanhas, armadilhas e atalhos que levam à perdição.
Para outros a caminhada é reta curta, cheia de facilidade, chão de relva verde, banquete à mesa, a faca e o queijo na mão.
Meu caminho não é curto nem longo, mas incerto...
Às vezes procuro fugir dessa caminhada...
Às vezes os pés descalços pedem descanso, cansados dos percalços...
Às vezes caminho com o coração, mas os pés parecem se cansar mais assim...
Às vezes caminho com a mente, e os pés agradecem por não mais tocar o chão...e eu decolo, às vezes planando, às vezes voando como ave de rapina, seguindo meu trajeto sem sair da trilha, percebo que nem sempre é necessário respeitar essa linha imaginária. Se a mente imagina e a caminhada é imaginária, é só imaginar outra melhor. Se a mente imagina, logo cria, logo pensa, logo existe, logo manda, e se a mente manda, ninguém manda na gente.
Minha mente manda e eu obedeço, e cresço, e vôo em plena dança...e vôo e saio da caminhada, e vôo e saio do mundo, e vôo e faço meu destino, e vôo e passo pelas estrelas,e passo pelos planetas, e passo pelas constelações, e me transformo em cometa, e me torno maior, e me torno astro, e me descubro sagrado, completo, como todo o ser humano é e não sabe.
Tudo passa, meu caminho passa, agora é passado, e eu vou dando mais um passo ou balançando as asas como pássaro, e tudo passa, e tudo passará...minha mente passada, agora mente de passarinho, me transforma em passageiro passivo de uma cabeça ativa e erguida, que serve como casa do cérebro, que serve como casa da mente, que me deixa consciente que esse presente é de gente ausente de mente pensante...e pra mudar o presente a gente busca o futuro, mas o futuro da humanidade será escuro e inseguro...a mente realista jamais mente, então eu sigo em frente, sem ficar em cima do muro, busco agora o meu futuro...
Não sou pássaro escuro carniceiro, sou pássaro claro, brasileiro e verdadeiro...eu vôo alegre, faceiro...e vôo acima do nevoeiro, e carrego em minhas garras quem eu amo, e carrego em meu peito a esperança, e carrego em minha mente uma vida de lembranças...e eu vou, e eu vôo, e eu vôo em plena dança.
Comments:
Ah, meus dez primeiros anos...
Ah, meus dez primeiros anos...
Tempo que não há mais,
Tempos de ontem...
Época que não volta atrás,
Quando eu era o Super-homem
Enrolado num trapo de pano.
Anos dourados, anos de criança,
Que vivia a bonança despreocupado
Descansado sob o sono dos meus pais.
Ah, meus dez primeiros anos...
Época que não volta atrás,
Que eu era o antipecados,
Sem metas nem planos...
Irresponsável vida mansa
Onde tudo era brinquedo,
Sem da vida ter medo, maroto,
Ah, aquele garoto
Dos meus dez primeiros anos...
Tempo que ficou de herança,
Sendo usado na lembrança
Dos meus breves novos anos.
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A Volta da Lida.
No caminho de volta do trabalho, em todo o trajeto pela Av. Presidente Vargas, pude avistar o Cristo Redentor pela janela do ônibus, à minha esquerda.
A imagem do filho de Deus, quiçá sedento de misericórdia, com a favela SeIlÁQuAL(Eu não sei reconhecer as favelas de Rio de Janeiro por falta de interesse no assunto e noção geográfica) de cenário...Bem em frente ao sambódromo comecei a refletir sobre uma certa ou errada incoerência de ter um Jesus Cristo enorme, de braços abertos para uma favela qualquer e toda uma cidade de barbáries.
Desci a Praça da bandeira e vi tremulante a bandeira do Brasil em “Desordem e Retrocesso”...Já não via mais o Cristo e dali a alguns metros estava diante do “gigante”, o Maraca, e os pensamentos mudaram novamente. Depois da tragédia originaria dos palcos gregos, o palco do show q não pode parar, por se tratar da quase única distração desse povo.
Mais um morro, o da Mangueira...esse eu conheço porque meu tio mora lá, e é um dos mais tradicionais do Rio, seja pelo samba ou pelo tráfico. A diferença é q só temos prazer de escutar o som das cuícas e tamborins em fevereiro, e no restante do ano somos obrigados a contemplar os rufares dos fuzis.
Vinte e Quatro de Maio...quase virando no “buraco-do-padre”, como já é de praxe, o ônibus pára no sinal com o sol escaldante queimando minha cabeça...abriu o sinal...subindo a ladeira... descendo...cheguei em casa. Amanhã tem reprise na sessão da tarde.
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